sábado, 12 de junho de 2010

A faca


Cinco dedos agarrados à faca.
Um corpo à espera dela.
A mão segura na faca e espeta-a, com força.
E vem a dor, vem o gemido e o grito; não afinal esses três não vêm.
Tenho a faca espetada em mim.
Tenho o corpo a jorrar sangue.
Tanto sangue sai de mim, mas eu continuo de pé; não há dor.
Grito - Não há dor!
Vivo com esta faca em mim. Talvez seja mais do que uma faca que o talhante usou. É uma espada de guerra que o guerreiro aqui deixou.
Mas que bom ter uma espada em mim e não sentir dor.
Espera... eu sinto dor.
A minha dor.
A dor de quem pensa de mais sem ter aprendido a pensar. E dói. Afinal pensar dói. Dói muito. É demais. tira, tira, tira...
Tira-me a espada!
Leva-me a faca!
Estanca o sangue!
E cura-me disto! (tu tens a cura mágica de me fazer ser eu)
Já não há gritos de dor.
Há agora sangue dentro de mim.
"Mas porra quem é que deixou esta mulher espetar-se?
Quem foi o guerreiro que lhe deixou a espada?
Quem foi o talhante que lhe ofereceu a faca?"
- Não sei, mas ainda bem. Cortei-me em dois; engoli o pensamento, bebi a razão; agora sou eu de verdade!

6 comentários:

  1. hei obrigada ;) acho que no fundo ando aqui a escrever so pa tu leres ;)

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  2. Mais alguem adora! Continua princesa...quanto à faca, sofrimento e dor? Como dávamos valor ao que de bom temos? Como nos tornariamos pessoas melhores sem passar por isso? A nossa realidade somos nós que a criamos através da interpretação que lhe damos!Posso ver sofrimento e dor ou posso ver uma oportunidade de continuar a melhorar, de simplesmente ser, viver...e experienciar a adrenalina. Faz parte de estar viva!LY

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