quinta-feira, 13 de maio de 2010

Aliás era mais




Escuro
A luz era mesmo pouca
Era um quarto escuro
E a pouca luz era louca

Barulho, quase nada
Só o respirar
Mas falava-se no silêncio
Aliás era mais do que falar

Ninguém quis a luz acender
Nem o silêncio agitar
E acabou o corpo por ceder
E os olhos fechar

Na escuridão
No silêncio
Até mesmo no sono
Falava-se
Aliás era mais do que falar.

E eu?


É como se esta história não fosse minha.
O meu passado é estranho a mim mesma, não o entranho em mim.
Se fosse eu a contar a minha história (alheia a estas novidades) ela não seria assim.
Nem eu, nem o meu corpo conhecemos esta história de mim.
Falta de memória? É possível.
Mas não deixa de ser estranho eu não me lembrar de ser eu, e não conhecer este alguém.
Eu sou, e ao ser, sou eu. Mas o que fui, não sei quem era.
Sou eu agora quem escreve, porque não estou a sonhar, porque quando sonho, já não sei quem sonha, se eu se outro alguém por mim.
Talvez algumas vezes seja eu...
Vou continuar a ser eu, a ser-me, desconhecida a mim mesma.