segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vem


Vem
deita-te sobre mim
o mundo vai parar
por um segundo
para ti

Dúvidas?
Deixa isso de lado, o coração bate por alguma razão!

Quero dormir!


E de repente há uma luz que espreita entre as folhas da árvore. De que vale essa pequena e doce luz, quando a única coisa que queres é ter os olhos fechados?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Afinal


Afinal, o mundo pode parar por um segundo
para isso, basta querer!
Fazer, correr, dizer, agarrar, prender, cair,
inspirar, expirar, sem pensar, só sentir
sussurrar e dizer que não vou partir.

sábado, 12 de junho de 2010

A faca


Cinco dedos agarrados à faca.
Um corpo à espera dela.
A mão segura na faca e espeta-a, com força.
E vem a dor, vem o gemido e o grito; não afinal esses três não vêm.
Tenho a faca espetada em mim.
Tenho o corpo a jorrar sangue.
Tanto sangue sai de mim, mas eu continuo de pé; não há dor.
Grito - Não há dor!
Vivo com esta faca em mim. Talvez seja mais do que uma faca que o talhante usou. É uma espada de guerra que o guerreiro aqui deixou.
Mas que bom ter uma espada em mim e não sentir dor.
Espera... eu sinto dor.
A minha dor.
A dor de quem pensa de mais sem ter aprendido a pensar. E dói. Afinal pensar dói. Dói muito. É demais. tira, tira, tira...
Tira-me a espada!
Leva-me a faca!
Estanca o sangue!
E cura-me disto! (tu tens a cura mágica de me fazer ser eu)
Já não há gritos de dor.
Há agora sangue dentro de mim.
"Mas porra quem é que deixou esta mulher espetar-se?
Quem foi o guerreiro que lhe deixou a espada?
Quem foi o talhante que lhe ofereceu a faca?"
- Não sei, mas ainda bem. Cortei-me em dois; engoli o pensamento, bebi a razão; agora sou eu de verdade!